Sete Lágrimas
A palavra dita e cantada moldou, ao longo dos tempos, gestos de devoção, da intimidade da oração quotidiana ao esplendor das celebrações comunitárias. É nesse
cruzamento, entre a experiência individual e coletiva, que se revela uma espiritualidade intensa, feita de linguagem simples e direta, mas também de silêncios, repetições e ecos. No segundo concerto do ciclo Música nas Igrejas, A palavra – Voz e silêncio na devoção ibérica, visita-se esse tempo, em que a palavra era já oração antes de
se fazer canto e o canto se tornava eco da vida de cada comunidade. Entre o templo e a rua, a devoção ibérica revela-se em expressões solenes e plenas de emoção.
Programa
Bendito sea aquel dia, Cancioneiro de Elvas (s. XVI) *
Dorme, dorme, meu menino, Nana, Nnna, meu menino / Ó, ó, menino, ó *
Oiga el que ignora, frei Felipe da Madre de Deus (1626-?) *
Recercada octava sobre tenore, Diego Ortiz (c.1510-c.1576)
Ysabel y mas Maria, Filipe Faria e Sérgio Peixoto sobre poema Anónimo (s. XVI)
Hashivenu
Recercada segunda sobre tenore, Diego Ortiz
Olá zente que aqui samo (s. XVII) *
Dic nobis Maria/Dalha den cima del cielo, Anónimo (s. XVI) *
Ya cantan los gallos, Cancioneiro de Elvas (s. XVI) *
Ado estás, Cancioneiro de Elvas (s. XVI) *
Con amores la mi madre, Juan Achietta (1462-1523) *
Venid a sospirar con Jesu amado, José de Anchieta (1534-1597) *
El noi de la mare, Trad. (Espanha) *
El pesebre, Filipe Faria e Sérgio Peixoto sobre poema de Lope de Veja (1562-1635)
Recercada primera sobre tenore, Diego Ortiz
Eno sagrado, Filipe Faria e Sérgio Peixoto sobre poema de Martim Codax (s. XIII)
* arranjos de Filipe Faria e Sérgio Peixoto
Este é o segundo de quatro concertos que compõem o ciclo Música nas Igrejas, desenhado por Filipe Faria. Apoiado numa narrativa poética em torno dos temas do nascimento, do início e da natividade, entre o devocional popular dos séculos XVI e XVII e o sagrado erudito do século XVII ao século XX, este ciclo começou com O dia – Entre a luz e a sombra no Barroco ibérico, pelo Concerto Campestre. Seguem-se A beleza – Louvor no Barroco italiano, pelos ensembles Altos do Bairro e Coro Alto, que celebra esta época através de um repertório marcado pela exaltação, alegria e devoção; e, a fechar, A noite – Mistério e luz no Natal do mundo, pelo Coro de Câmara do Instituto Gregoriano de Lisboa, um concerto para famílias que evoca o mistério e a celebração da natividade.
Sete Lágrimas
Fundado em Lisboa, em 1999, por Filipe Faria e Sérgio Peixoto, o projeto dedica-se aos diálogos da música antiga com a contemporaneidade e da música erudita com as tradições seculares. Reúne músicos de diferentes horizontes musicais e é considerado um dos mais relevantes e inovadores projectos europeus na área da Música Antiga. Em 2025, Sete Lágrimas editou o seu 17º título, intitulado Projecto Elvas, Vol.1, primeiro volume da hexalogia dedicada ao Cancioneiro de Elvas, manuscrito português do terceiro quartel do século XVI (BME Ms. 11793/P-Em 11793).
Sete Lágrimas conta com o apoio do Ministério da Cultura (Governo de Portugal) e da Direcção-Geral das Artes, desde 2003, e do Município de Idanha-a-Nova - UNESCO Creative City of Music, desde 2012.
Filipe Faria e Sérgio Peixoto direção artística
Filipe Faria voz e percussão;
Sérgio Peixoto voz;
Pedro Castro flautas, oboé barroco, gaita de foles;
Tiago Matias guitarra barroca, guitarra romântica, vihuela;
Mário Franco contrabaixo;
Juan de la Fuente percussão
