Autor: Catarina Pires
A série de 24 reportagens “À vontade do freguês”, publicada no jornal A Mensagem de Lisboa, foi um dos projetos vencedores da primeira edição do Programa Lisboa, Cultura e Media, da Lisboa Cultura – EGEAC.
A ideia era encontrar em cada uma das 24 freguesias de Lisboa uma estrutura independente que fizesse da cultura território participado. Que não fosse apenas um lugar onde se consome, mas um espaço onde se constrói, se ensaia, se vive e onde os fregueses fossem agentes e não apenas espectadores.
Foi uma aventura tremenda.
Em algumas freguesias, havia tanto por onde escolher que a dúvida se instalou (quase até ao bloqueio): como contar um só lugar quando apetece contar todos? Como não ser injusta? Noutras, o desafio foi encontrar a agulha no palheiro.
Vários fatores contribuem para este desequilíbrio: a crise do associativismo, o esvaziamento de alguns bairros que foram perdendo moradores, identidade e coesão, a crise imobiliária e o aumento das rendas, que levou ao fim de coletividades centenárias, a crise de participação, que se sente particularmente onde a comunidade se deslaça… A escolha recaiu nos que continuam a resistir a estas crises todas, seja os que vêm de trás e já fizeram mais de cem anos, seja os que acabam de nascer, como vontade de reagir.
São todos diferentes, mas há em todos uma motivação comum: a generosidade e a partilha. Gente que abre portas, que inventa possibilidades, que acredita que a cultura é um bem essencial e um pilar da democracia.
No fim, o que esta série procurou desenhar foi uma geografia imperfeita – porque incompleta, porque necessariamente parcial – mas participada. Um mapa feito de encontros, de tentativas, erros e acertos, mas sobretudo de resistências contra a ideia de que a cultura é um luxo.
Reportagens de Catarina Pires (texto), Líbia Florentino (fotografia) e Rita Ansone (fotografia).







