Autor: Isabel Nery
Alguns nunca tinham lido um livro até entrarem na cadeia e agora leem um por dia. Outros aprenderam a controlar a impulsividade (violenta) com canetas e pincéis. Embora “escondidos” atrás das grades, estes homens, mulheres e jovens também habitam Lisboa. E encontraram a cultura transformadora de que sempre nos falou a poeta Sophia de Mello Breyner Andresen.
A reportagem “A poesia está nas grades”, publicada no jornal Público a 18 de janeiro de 2026, retrata uma outra faceta das prisões. Com testemunhos recolhidos em vários estabelecimentos prisionais masculinos e femininos, bem como em centros educativos para jovens, o artigo relata a cultura que é liberdade.
A reportagem cruza histórias de vida com dados que demonstram como a atividade artística melhora o autocontrolo, reduz a agressividade, fortalece a autoestima e contribui para diminuir a reincidência.
Para uns, escrever é uma forma de enfrentar a culpa, o trauma ou a solidão. Para outros, a possibilidade de recuperar laços familiares – e imaginar futuros. Como nos disse uma professora: “Não tenho a menor dúvida de que a educação e a poesia reabilitam. Mas mais do que ensiná-los, estou a transformá-los.”
Em todos os casos, a escrita surge como alternativa à destruição. Pela transformação do sofrimento em palavras. Os relatos mostram-nos a agressividade que nasce da dor e do trauma não tratados, alertando para a urgência de prevenção. A arte como ferramenta para obter outros resultados sociais, como defende Narcisa Costa, da Fundação Calouste Gulbenkian.
Mais do que relatar experiências de reclusão, questiona-se o investimento insuficiente na educação prisional e mostra-se como a literatura e a arte podem ser instrumentos decisivos de reabilitação e reintegração social.







