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28 de Outubro, 2026

Lisboa, a procissão vai no adro

Autor: Sara Oliveira

Lisboa é uma cidade em diálogo permanente entre o antigo e o contemporâneo, entre a fé que atravessou séculos e as expressões urbanas que reinventam identidades. As procissões lisboetas são manifestações culturais que transcendem o plano estritamente religioso: compõem narrativas de memória, pertença comunitária e espetáculo urbano. Elas revelam o que sobrevive e o que se transforma nas tradições rituais e populares da cidade. E estas histórias merecem ser contadas nas suas várias camadas.

As procissões são uma parte importante da identidade de um lugar, como expressão de fé e de crença, mas que permanecem na invisibilidade mediática ou são relatadas e noticiadas como uma manifestação que acontece num só dia ou num determinado momento, sem um fio condutor que resgate a sua história, as suas origens, bem como a preparação, os rituais, o que se mantém e o que mudou ao longo dos anos. Propõe-se uma abordagem para uma reflexão da própria identidade cultural da cidade, numa vertente do que é genuíno e popular, tradicional e contemporâneo, por um ângulo menos óbvio e pouco explorado, mas necessário e relevante para o cenário cultural lisboeta.

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