Autor: Joana Stichini Vilela
Dada a quantidade exponencial de mundos dentro de um único território, ao referirmo-nos à capital portuguesa, devíamos dizer “Lisboas”, defende a Sociedade Portuguesa de Labirintologia. Para explicar porquê, criaram o podcast “Deriva”. Sete episódios e percursos inspirados por correntes como as da psicogeografia, da olisipografia e da vadiagem, em que os dois membros fundadores vão demonstrar como existem tantas cidades como aqueles que as vivem e viveram. Ponto de partida definido, destino a descobrir, sempre na companhia de um convidado inesperado.
Numa era em que abundam as petições contra a turistificação e a massificação, este projeto alerta para a importância da atenção, do deambular e da liberdade pessoal na redescoberta de uma cidade orgânica e em constante transformação. Cada episódio inclui reportagem, entrevistas, apontamentos históricos e reflexão. Sem qualquer tipo de apoio tecnológico, mas sentidos bem alerta. O resultado são sete aventuras contraintuitivas, pelas culturas, subculturas e protoculturas de Lisboa. Em suma, um anti-guia, para convidar à exploração sem rumo, incentivar novas formas de olhar, e criar uma comunidade de labirintologistas. Gente com o poder de escapar a agendas, preconceitos e algoritmos, e se deslumbrar com o que os rodeia.
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